Essa conversa aconteceu em 2020! Em 2023, virou página do “Obrigada, Laura”! Em 2025, essa imagem-conversa se transformou na minha logomarca pois tem um significado que não consigo descrever. Em seguida, o diálogo mais lindo e cheio de amor, que explica porque sol, tempestade e arco-íris estão na minha logomarca como psicóloga clínica e escritora.
– Mãe, quero te perguntar uma coisa.
Nesses dias, qualquer pergunta da Mari me fazia engolir em seco. Não sabia o que viria. E eu não tinha resposta para tudo.
– Não tem aquelas tuas amigas que a gente viu na Potycabana, aquelas que os bebês morreram?
– Sim, filha. São mães de anjos, assim como a mamãe é mãe da Laurinha.
– Por que aquela tia tinha um bebê?
Ela perguntou referindo-se a uma mãe do grupo que foi ao encontro acompanhada por seus dois filhos, um deles com menos de um ano. Na cabeça de Mari, ainda um bebê. Lembro que, no dia do encontro, ela até conversou com ele como se fossem velhos amigos.
– Ah sim, filha! É o filho dela, um bebê arco-íris.
– Bebê o quê?
– Bebê arco-íris é um bebê que nasce depois de a mãe dele ter perdido um bebê. Dizem que, quando uma mãe perde um bebê, ela vive algo muito forte, como uma tempestade. Então, depois da chuva forte, há sempre um arco-íris. E o bebê que vem depois de um irmãozinho que morreu é um bebê arco-íris.
– Então a Laura é um bebê tempestade?
Segurei o riso. O papo era sério.
– Bom, podemos pensar nela como uma chuvinha gostosa, que molha tudo, que traz esse clima gostoso. Que faz a mamãe chorar às vezes de saudade. Pode ser que eu ainda chore muito por sua irmã, e está tudo bem. Sei que você não gosta de me ver chorar, mas o meu choro é a maneira que meu coração encontra de dizer que sinto a falta da sua irmã.
Ela me deu um abraço forte, apertado. Choramos juntas por alguns minutos. Tempos depois, mais uma pergunta:
– E eu? Sou o quê?
Se tinha o bebê arco-íris, o tempestade, imaginei que ela estava se referindo a isso e não soube o que dizer.
– Você é a primogênita. Minha primeira filha. Aquela que me fez mãe.
– Nam, não quero ser isso não.
Não consegui segurar o riso. Acho que ela achou que primogênita estava mais para xingamento do que para qualquer outra coisa… Respiro fundo, e a resposta vem.
– Você é o meu sol. Aquela que ilumina, que trouxe a luz para a minha vida. Que, toda vez que está escuro, aparece e clareia tudo.
– Ufa. Então é por isso que a senhora tem uma tatuagem de sol?
– Sim. É sim, filha! Fiz pensando em você.
Mentira. Não fiz não. Fiz essa tatuagem há 16 anos com uma amiga, uma grande amiga. Tatuei um sol porque precisava lembrar que ele nasce todos os dias. Todos. Os. Dias. E, em cada dia, você pode recomeçar. E eu precisava recomeçar. Com ele. O sol. Fiz essa tatoo porque achava que tinha chegado ao limite do meu sofrimento. Tola. Não sonhava o que a vida ainda iria me trazer… Mas, naquela hora, preferi dizer à Mari que tinha sido para ela. Talvez tenha, eu que não sabia como ela seria o sol que me fez e faz renascer todos os dias.